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segunda-feira, junho 16, 2003
**SÓ PODE TÁ TUDO TRAVADO MESMO!!!!!**

Só pra registrar antes q eu me esqueça....
Agora tenho certeza do porquê o Brasil tá travado no mesmo lugar... porque a escola pública é uma merda!!!!!!!
Que novidade.... eu sei... eu sei.... mas tenho provas....
Minha professora de português falando sobre uma outra...:
- É... ela foi no ancologista
Quando a corrigiram, ela ignorou....
A mesma professora falando o porquê das definições dos pronomes....:
-Vcs acham o quê? Que é escolhido alienatoriamente?
E ainda....a mesma professora falando sobre um nome antigo de um país...:
- Pois é... e este país se chama Siri-Lanque

Ah... vcs estão sofrendo...? Mais uma torturinha basica...
Uma das frases da professora de inglês na prova...:
The watch is on the wall.

Ah... bom.... se é assim fico mais sossegada né....

Vô pará senão vcs vão tê um TRECO!!!!

Falei e Disse as 3:16 da tarde
quinta-feira, junho 12, 2003
**FICO BESTA MESMO...**

Como as pessoas não enxergam nada mesmo, nem um palmo na frente do nariz!!
Vivem em seus mundinhos ocos e solitários e acham que vivem acompanhados das melhores pessoas do mundo e fazem as melhores coisas do mundo e são as melhores coisas do mundo.
E o pior de tudo é que vivem para nada e vão para frente para nada.
Todo mundo é assim mas, pelo menos temos que nos esforçar para deixar uma marca neste planeta, em alguém. E não passarmos incólumes por aqui.
E ninguém enxerga isso.
Fico besta mesmo.
E você, taí com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar???
Ah! Tá loco!!!


Falei e Disse as 10:32 da manhã
**INICIO**

"Antes do Oceano existir, ou a terra, ou o firmamento
A natureza era toda igual, sem forma.
Caos era chamada,
Com a matéria bruta, inerte, átomos discordantes,
Guerreando em total confusão:
Não existia o Sol para iluminar o Universo;
Não existia a Lua, com seus crescentes que lentamente se preenchem;

Nenhuma terra equilibrava-se no ar.
Nenhum mar expandia-se na beira de longínquas praias.
Terra, sem dúvida, existia, e ar e oceano também,
Mas terra onde nenhum homem pode andar, e água onde Nenhum homem pode nadar;
e ar que nenhum homem pode respirar;

Ar sem luz, substância em constante mudança
Sempre em guerra;
No mesmo corpo, quente lutava contra frio,
Molhado contra seco, duro contra macio,
O que era pesado coexistia com o que era leve.
Até que Deus, ou a Natureza generosa,
Resolveu todas as disputas, e separou o
Céu da Terra, a água da terra firme, o ar
Da estratosfera mais elevada, uma liberação,
E as coisas evoluíram, achando seus lugares a partir
Da cega confusão inicial.
O fogo, esse elemento etéreo,
Ocupou seu lugar no firmamento,
sobre o ar, sob ambos, a terra,
Com suas proporções mais grosseiras, afundou; e a água
Se colocou acima, e em torno, da terra.
Esse Deus, que do Caos
Trouxe ordem ao Universo, dando-lhe
divisão, subdivisão, quem quer que ele seja,
ele moldou a terra na forma de um grande globo
Simétrica em todos os lados, e fez com que as águas se Espalhassem e elevassem, sob a ação dos ventos uivantes {...}"



Falei e Disse as 10:27 da manhã
**AS SEM-RAZÕES DO AMOR**

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drumond de Andrade



Falei e Disse as 10:23 da manhã
**DIA DOS NAMORADOS**

Como no Brasil nada se cria, tudo se copia, segue texto sobre o dia dos namorados no Brasil... tsc...tsc...tsc...


A prov?vel origem est? na Roma antiga, no século III. O imperador Claudius II havia proibido o casamento durante os tempos de guerra, porque achava que os soldados solteiros eram mais eficientes. Mas o padre Valentim desobedeceu a ordem e celebrou v?rios casamentos. Pela desobediência, ele foi condenado à morte e tornou-se santo. A data em que ele morreu, 14 de fevereiro, passou ent?o a ser celebrada por ingleses e franceses no século XVII, ao mesmo tempo como Dia de S?o Valentim e Dia dos Namorados.

Um século depois era foi adotada nos Estados Unidos como o “Valentine’s Day”. No Brasil, o fato de a data ser comemorada em 12 de junho tem um significado muito menos her?ico ou romântico. O costume surgiu em 1949, quando o publicit?rio Jo?o D?ria trouxe a idéia do exterior e a apresentou aos comerciantes. Como junho é um mês de vendas baixas, eles decidiram comemorar a data nesse mês e ainda escolheram a véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro como o Dia dos Namorados.




Falei e Disse as 10:17 da manhã
terça-feira, maio 27, 2003
**PARA UMA SAUDADE GORDA**

Sofro muito a falta do meu amor:
Como muito diante da televisão.
Não faço nada
durmo, acordo, como, assisto, acordo, durmo, como.
Pareço aquela gorda de bobs nos cabelos
e a sexualidade embutida.
Nada sou disso
disso sou apenas muita saudade
uma coisa que me paralisa
e me põe por horas desse jeito.
Quero só um telefonema,
sua voz,
e eu emagreço rápido
visto calcinha preta
o bico do peito endurece
empurro pra lá o prato de brigadeiros
sem perdão
e o tesão vai pessoalmente
desligar a televisão

Elisa Lucinda




Falei e Disse as 3:52 da tarde
quinta-feira, maio 22, 2003
**LENDAS INTERNÉTICAS**

Este
site é ótimo para esclarecer algumas destas lendas chatas e que acabam tornando-se spam.



Falei e Disse as 11:01 da manhã
quarta-feira, maio 21, 2003
**GAIA**
"... Ao mexer-se, sua espinha arqueou-se, formando as montanhas. Da sua voz, fez-se vales e grutas; com seu suspiro, fez-se a chuva, dando origem às
criaturas vivas. Por tanta beleza, brotaram de seus poros, as flores.
Sua fertilidade era imensa, e todo o mistério nunca interrompia a criação".

(autor desconhecido)



Falei e Disse as 4:54 da tarde
**AS TRÊS METAMORFOSES**

Agora falarei a vocês sobre as três metamorfoses do espírito: como o
espírito torna-se camelo, o camelo transforma-se em leão e o leão,
finalmente, em criança.

Existem muitas coisas difíceis para o espírito, aquele espírito
reverente que deseja suportar tudo: mas o difícil e o mais difícil
são as provas que a força desse espírito deseja. O que há de mais
difícil? pergunta o espírito que deseja suportar tudo, e se ajoelha
como um camelo que espera ser bem carregado. O que é o mais difícil,
ó heróis - pede o espírito ansioso por suportar tudo - para que eu
possa tomá-lo sobre meus ombros e exultar em minha força?
Será humilhar-se a si mesmo para mortificar o próprio orgulho?
Deixar brilhar nossa loucura para zombar de nossa sensatez?
Ou será abandonar nossa causa bem na hora de celebrar a vitória?
Escalar altos montes para tentar o Tentador?
Ou será sustentar-nos com as bolotas e as ervas do conhecimento e,
pelo bem da verdade, sofrer fome na própria alma?
Ou será estarmos doentes e despedirmos nossos benfeitores e fazermos
amizade com os surdos, que nunca ouvem o que desejamos?
Ou será submergir na água imunda, porque essa é a água da verdade,
sem esquivar-se ao contato com as rãs frias e os sapos quentes?
Ou será amar os que nos desprezam e estendermos as mãos aos
fantasmas que querem nos assustar?

O espírito que deseja suportar tudo toma sobre si mesmo todas essas
coisas difíceis: então, semelhante ao camelo carregado que se
apressa em direção ao deserto, também ele corre para seu deserto.
E lá, nessa solidão extrema, produz-se a segunda metamorfose: o
espírito torna-se leão, quer conquistar a liberdade e ser senhor em
seu próprio deserto. Aqui ele busca seu último senhor, quer lutar
com ele e seu último deus, quer lutar pela vitória final com o
grande dragão.
Quem é esse grande dragão que o espírito se recusa a chamar de Deus
e de Senhor? `Tu deves', assim se chama o grande dragão. Mas o
espírito do leão diz `Eu quero!' Barrando o seu caminho está postado
o `Tu deves', brilhando como ouro, coberto de escamas fulgurantes, e
em cada uma dessas escamas reluz, em letras douradas, `Tu deves!'
Valores milenares brilham nessas escamas e assim fala o mais
poderoso dos dragões: "Em mim brilha o valor de todas as coisas.
Todos os valores já foram criados e eu sou o todo dos valores
criados. Na verdade, `Eu quero' não deve mais existir daqui em
diante." Assim falou o dragão.

Meus irmãos, para que o espírito precisa ser leão? Não basta a besta
de carga, resignada e respeitosa?
Criar novos valores - disso nem mesmo o leão é capaz - mas
conquistar sua própria liberdade para criar o novo - esse é o poder
do leão. Para conquistar sua própria liberdade, o direito sagrado de
dizer `Não' até diante do dever, para isso, meus irmãos, é preciso
ser leão.
Conquistar o direito de criar valores novos é a mais terrível
empreitada para um espírito resignado e respeitoso. Certamente ele
veria em tal ato uma façanha digna de um salteador e de um animal de
rapina. Agora, aquele que antes amava o `Tu deves' como o que existe
de mais sagrado há de perceber a ilusão e o arbítrio até mesmo no
que há de mais sagrado no mundo e conquistará assim, após uma
grande luta, o direito à liberdade à custa do seu amor. É necessário
um leão para tão grande violência.

Mas dizei-me, irmãos: que pode a criança fazer onde o próprio leão
foi incapaz? Porque o altivo leão deve transformar-se numa criança?
A criança é inocência, esquecimento, novo começar, jogo, roda que
gira sobre si mesma, movimento que começa, um sagrado `Sim'. Para a
brincadeira que é a criação, meus irmãos, é necessário um `Sim'
sagrado: o espírito agora quer sua própria vontade, e aquele que foi
perdido para o mundo conquista agora o seu próprio mundo.
Assim falei a vocês das três metamorfoses do espírito: como o
espírito se transformou num camelo, o camelo em leão e o leão,
finalmente, numa criança.

Assim falou Zaratustra. E nessa época ele morava na cidade
chamada "Vaca Multicor".

Nietzsche



Falei e Disse as 4:44 da tarde
**MARIA E O SECRETÁRIO**

Mesmo faltando-lhe quase todos os dentes, Maria era bonita. Uma beleza matuta, envergonhada, com cara de riacho e cheiro de roupa quarando ao sol. Não era de muitas palavras e olhava pro mundo pedindo licença. Como se os olhos incomodassem. Não. Como se ela fosse um incômodo que incomodava sem ela saber porquê. Assim, incomodada por incomodar, a ela só restava um enorme par de olhos que olhavam sem olhar. Olhava de beira, margeando o visível, esgueirando o foco, e procurando o chão.
Chegou como as Marias costumam chegar : invisíveis, anônimas, desterradas. Tocou a campainha, entrou, e foi logo lavando a louça e limpando as janelas. Não foi preciso ninguém mandar. Uma empregada exemplar. Ninguém lhe perguntou o sobrenome e o nome foi só pra constar. Depois arrumou as tralhas no quartinho dos fundos, pendurou o terço, uma fotografia de sabe-se lá quem, e encolheu-se na cama. Dormiu de banda, retorcida como um galho torto, uma pedra lascada e um cotoco de gente.
Sonhou com o sertão, com a terra dos olhos que olham sem olhar. Se fosse eu ou você a sonhar com esqueletos barrigudos e cadávares embalados em rede, certamente seria um pesadelo, mas pra Maria era sonho.
Acordou antes do sol acordar. Pisou no chão com cuidado, temendo que o chão fosse se incomodar. Arrastou-se até a cozinha e preparou o café. Não tomou. Esperou que todos acordassem e lhe deixassem o resto.
Que pra Maria não era resto, era o que tinha pra comer neste mundo de Deus. Os patrões não gostaram. Aguado demais! Abaixou a cabeça e sorriu. Maria sorria quando era pra chorar. Voltou ao fogão e fez tudo de novo, sem reclamar. Uma empregada exemplar!
Vez por outra conversava comigo, me contava histórias dos doze irmãos que ficaram no norte, lá pelas bandas da Paraíba. Narrava histórias de defuntos e mulas que soltavam fogo pelas ventas. De si, pouco falava. Não por não ter o que contar e sim por não querer incomodar. E se eu por acaso insistisse, ela respondia : "Que vida pode ter alguém que nem chegou a nascer?" E de nada adiantava tentar convencê-la deste engano, pois de tanto conviver com a morte, defunto, mula sem cabeça,
cadáver barrigudo, ela acabou por achar que o mundo era dividido entre os mortos e os nascidos. E se fosse eu ou você a elaborar este pensamento, seria metafísica, mas pra Maria era fado mesmo!
Um dia Maria chegou mais animada do que de costume. Os olhos brilhavam e me olhavam. Perguntei-lhe o motivo de tanta alegria, e ela disse que um herói ia chegar de avião. Acostumada com as histórias das almas penadas, achei que o herói de avião era coisa da sua imaginação. Mas não era! O filho do patrão, um sujeito metido a marxista, tiete de Fidel e Che, ia voltar de uma excursão lá pelos confins da Europa. Maria pouco sabia de Marx, mas pelo que ouvia por detrás das portas, concluiu
que ele era o anjo de Conselheiro, e o filho do patrão, o homem que ia fazer o mar virar sertão. De nada adiantou previni-la de uma provável decepção. Maria cismou que o rapaz era o anjo da sua tão esperada concepção.
Até que chegou o dia do retorno do tal herói. Chegou empinado, ereto como um bambu, e nem olhou pra Maria e muito menos lhe deu bom-dia. Passou por ela sem vê-la, deixando um rastro gelado e uma catinga de senhor de engenho. Maria conhecia o cheiro e o associava ao chifrudo. Benzeu-se três vezes e jogou sal pelas costas. O herói era o tinhoso. Padre Cicero já havia avisado...
O tempo passou com Maria evitando ser olhada pelo canhoto. Tremia de medo quando ele passava ao seu lado, e um dia chegou até ver o rabo do coisa ruim. Pensou em ir embora, mas lembrou que não tinha pra onde ir. Foi ficando. Ela e o Tinhoso. O Tinhoso e Ela. De noite, rezava pra Padre Cicero, Conselheiro, e São Marx ( nunca consegui convencê-la de que Marx tinha horror às santidades) . Depois agarrava o terço, fechava os olhos, e lá se ia pras bandas dos mortos, dos não nascidos...
Um dia, o herói que não era herói e era o tinhoso acusou-a de roubar uma toalha. Vixe! A toalha que secou os pêlos do canhoto? A barriga embrulhou e os cabelos arrepiaram. Mas ninguém percebeu. Foi mandada embora no meio da noite. Não tinha nenhum lugar para ir. Saiu carregando a trouxa, um disco do Roberto Carlos, e um porta retrato com uma foto de São Marx. Nunca mais foi vista. Afinal, ela nem tinha nascido!
O Tinhoso? Ah!... a última coisa que eu soube dele é que se bandeou para o lado evangélico e que hoje rega uma rosa de plástico e um cravo de pano. Continua com pose de herói e vez por outra diz que é secretário do trabalhador!

Marcia Frazão



Falei e Disse as 4:29 da tarde
terça-feira, maio 20, 2003
ACREDITAR E AGIR

Um viajante ia caminhando em solo distante, as margens de um grande lago de águas cristalinas.

Seu destino era a outra margem.
Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte.
A voz de um homem coberto de idade, um barqueiro, quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo.
O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho.

Logo os olhos do viajante perceberam o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, ele pode observar que se tratavam de duas palavras:

num remo estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro AGIR.

Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos.

O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remando com toda força. O barco começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava.

Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.

Finalmente o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago chegando ao seu destino, à outra margem.

Então o barqueiro disse ao viajante:
-- Esse porto se chama autoconfiança, simultaneamente é preciso ACREDITAR e também AGIR para que possamos alcançá-lo !

Vera Tanka


Falei e Disse as 3:51 da tarde
quinta-feira, maio 15, 2003


A
Novae abre espaço ao escritor Austregésilo Carrano Bueno, autor do livro que deu origem ao premiado filme "O Bicho de Sete Cabeças" na sua luta jurídica contra os responsáveis pelo violento tratamento psiquiátrico que sofreu dos 17 até quase os 21 anos. Embate desigual que só a disseminação incansável na Web pode ter chance de reverter.

Ao lançar o meu livro "Canto dos Malditos", (base do filme BICHO DE SETE CABEÇAS de Lais Bodanski) biográfico do período que estive internado durante três anos e meio, dos 17 anos até quase os 21 anos, em quatro chiqueiros psiquiátricos brasileiros, já imaginava que estava comprando uma guerra. Guerra injusta, pois iria enfrentar pessoas poderosas financeiramente e que possuem até os dias de hoje um grande poder de ser intocáveis perante a Lei da sociedade brasileira.

E na comunidade em que convivo são de famílias poderosas que têm influência e poderes irrestritos no jurídico, legislativo e nos poderes executivos. E também são profissionais da área da saúde mental, que adquiriram poderes magistrais graças a uma ignorância quase generalizada de uma sociedade que sempre se colocou como omissa a tanta crueldade e violência que são praticadas dentro das nossas instituições psiquiátricas.

Violências das mais cruéis que chegam a inutilizar pessoas; condenação a passar o resto de seus dias dentro dessas instituições; milhares foram e são torturadas, mortas sem o menor senso de responsabilidade até hoje. Somos currados em todos os direitos de cidadão pela omissão social e desleixos profissionais que nos usam até como cobaias humanas, em suas prisões intituladas de Instituições Psiquiátricas e vulgarmente chamadas de Hospícios. Nos tiram a razão, nos transformando em bestas humanas onde não sabemos mais quem e o que somos, na forma de uma dupla prisão: física e química. E quando chega um livro escrito de dentro dessas instituições para fora delas, relatando uma verdade insofismável, pois basta apenas fazer uma visita surpresa a qualquer instituição do gênero para constatarmos esta nua, violenta e criminosa realidade.

O que esta sociedade omissa permite fazer? Cassar o livro, com alegações fajutas de injuria e calúnia a esses profissionais que são já condenados pela ética, e por suas próprias ações de desleixos e torturas com seus pacientes. Basta um pouco de conhecimento sobre o histórico recente dessas instituições psiquiátricas que são verdadeiros depósitos de pessoas altamente drogadas, confinadas, torturadas. E muitas são abandonadas pela própria família e omissão social. Verdadeiros crimes contra o cidadão e a humanidade. E quando alguém traz à tona esta verdade palpável, visível a olho nu, basta querer e ter a sensibilidade e senso de humanidade para deixar de se fazer de desentendidos e coniventes.

O que esta sociedade omissa permite fazer? Condenam o escritor e ex-paciente psiquiátrico a ser condenado mais uma vez. Estou condenado a pagar sessenta mil reais aos meus torturadores, nunca tive tamanha quantia de dinheiro em minha vida, mas eles querem essa indenização estipulada pelo Tribunal de Justiça do Paraná, pois eles são intocáveis e isentos de dúvidas sobre qualquer de suas ações.

Esta isenção patrocinada e comprada vergonhosa e abertamente pelo poder econômico dessas famílias e de profissionais psiquiatras que se sentem ameaçados por esta verdade que o livro mostra. Mas o que mais dói é a omissão social que com este ato se tornam coniventes com essas ações de confinar, drogar e torturar pessoas. Pois sabemos que confinar, prender pessoas e drogá-las não é tratamento e sim tortura das mais cruéis e dignas de punições jurídicas, ou seja, cadeia.

Em sociedades de países já com algum avanço nesta área da psiquiatria, já tem casos de condenações de profissionais por seqüelas, traumas, torturas psiquiátricas e suicídios de pacientes, inclusive com altas indenizações financeiras para as vítimas. Por que na sociedade brasileira estas graves questões são deixadas de lado, e a sociedade se mostra conivente com ações que são crimes, e dificultam a apuração de responsabilidades até nos meios jurídicos brasileiros, por quê? Agora quando alguém declara abertamente e cobra essas responsabilidades, até acorrentando-se em protestos em frente aos Tribunais Judiciais estadual e federal, tentando chamar a atenção para esses crimes, o que a sociedade brasileira faz? Vão julgá-lo agora mais uma vez.

Toda a vez que falar de sua sina de tortura, aviltação, humilhação, risco de vida, por ter seus estudos e formação profissional interrompidos pelo erro grosseiro que foi a sua internação. Submetido ao mais violento tratamento psiquiátrico que é a eletro- convulsoterapia, que foram 21 eletrochoques aplicados a seco, como experiência humana numa voltagem de 180woltz a 460woltz aplicado nas têmporas, onde deixaram seqüelas físicas e traumas psicológicos. Toda a vez que eu mencionar essas torturas e os nomes dos hospitais psiquiátricos, da Federação Espírita do Paraná que é dona de um desses hospitais, o nome dos médicos-psiquiatras que me torturaram, exigem R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por dia de indenização, ou que eu seja preso em cadeia comum. Serei julgado pela terceira vez no dia 23 de maio de 2003, as 14:30 horas na 5º Vara Civil do Fórum de Curitiba, capital do Estado do Paraná, Brasil.

O que se pode fazer para reverter esta perseguição indecente que o Lobby da Psiquiatria e familiares dos mesmos vem fazendo em cima da minha pessoa e de minha obra. Obra literária que originou o Filme " Bicho de Sete Cabeças ‘, que ganhou oito prêmios internacionais, e quarenta e três prêmios nacionais. Tornou-se um dos filmes mais premiados da cinematografia brasileira. Ganhei com tudo isso menos de vinte mil reais, pagos desde o ano de 2000. Dessa grana os processos que respondi, já levaram tudo, e estou até devendo.

Mas o que se pode fazer para reverter esses processos? Quem se sensibilizar por esta causa é divulgar ao máximo este texto. Enviar e-mail, cartas, telegramas, telefonemas, abaixo-assinados repudiando essas ações e condenações impostas a mim, para o Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Supremo Tribunal Federal em Brasília, para O.N.Gs nacionais e internacionais. Imprensa no geral. Associações de Direitos Humanos.

Os abaixos-assinados podem ser mandados para o endereço:

Rua José Culpi nº 437 Bairro: Santa Felicidade Curitiba-Pr-Brasil CEP: 82400-370.

Antes da data de julgamento que é 23/05/2003. Fico em aberto para sugestões que nos possa a ajudar e abrir um precedente na questão da responsabilidade psiquiátrica. Pois a minha primeira ação foi pedindo indenização financeira pelos mau tratos, torturas, risco de vida, e experiências de que fui vítima. Foi o primeiro processo de indenização por erro médico-psiquiátrico na história forense brasileira. Só que de vítima passei a réu, me condenaram a pagar os sessenta mil reais já mencionados no texto. Mas este processo não pode ser o único, espero que outros que também foram aviltados, torturados e etc, tenham coragem e exijam seus direitos juridicamente de cidadãos.

Para quem quiser consultar os meus processos, segue o nº dos mesmos:

1º Ação condenado a pagar sessenta mil reais, nº 154970-0/02 , Segunda Instância. Tribunal de Justiça do Paraná.

2º Ação cassação do Livro "Canto dos Malditos", nº 154/2001 - 8º Vara Civil. Fórum de Curitiba - Paraná - Brasil.

3º Ação proibindo manifestação oral, escrita, em qualquer meio de comunicação, nº 839/2001 ­ 5º Vara Civil. Julgamento no dia 23/05/2003 as 14:00h. Fórum de Curitiba ­ Paraná ­ Brasil.

Austregésilo Carrano Bueno é escritor - Fotos de divulgação do filme "O Bicho de 7 Cabeças"

Link original http://www.novae.inf.br/ativismo/perseguido.htm




Falei e Disse as 10:51 da manhã



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