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quinta-feira, maio 22, 2003
**LENDAS INTERNÉTICAS**

Este
site é ótimo para esclarecer algumas destas lendas chatas e que acabam tornando-se spam.



Falei e Disse as 11:01 da manhã
quarta-feira, maio 21, 2003
**GAIA**
"... Ao mexer-se, sua espinha arqueou-se, formando as montanhas. Da sua voz, fez-se vales e grutas; com seu suspiro, fez-se a chuva, dando origem às
criaturas vivas. Por tanta beleza, brotaram de seus poros, as flores.
Sua fertilidade era imensa, e todo o mistério nunca interrompia a criação".

(autor desconhecido)



Falei e Disse as 4:54 da tarde
**AS TRÊS METAMORFOSES**

Agora falarei a vocês sobre as três metamorfoses do espírito: como o
espírito torna-se camelo, o camelo transforma-se em leão e o leão,
finalmente, em criança.

Existem muitas coisas difíceis para o espírito, aquele espírito
reverente que deseja suportar tudo: mas o difícil e o mais difícil
são as provas que a força desse espírito deseja. O que há de mais
difícil? pergunta o espírito que deseja suportar tudo, e se ajoelha
como um camelo que espera ser bem carregado. O que é o mais difícil,
ó heróis - pede o espírito ansioso por suportar tudo - para que eu
possa tomá-lo sobre meus ombros e exultar em minha força?
Será humilhar-se a si mesmo para mortificar o próprio orgulho?
Deixar brilhar nossa loucura para zombar de nossa sensatez?
Ou será abandonar nossa causa bem na hora de celebrar a vitória?
Escalar altos montes para tentar o Tentador?
Ou será sustentar-nos com as bolotas e as ervas do conhecimento e,
pelo bem da verdade, sofrer fome na própria alma?
Ou será estarmos doentes e despedirmos nossos benfeitores e fazermos
amizade com os surdos, que nunca ouvem o que desejamos?
Ou será submergir na água imunda, porque essa é a água da verdade,
sem esquivar-se ao contato com as rãs frias e os sapos quentes?
Ou será amar os que nos desprezam e estendermos as mãos aos
fantasmas que querem nos assustar?

O espírito que deseja suportar tudo toma sobre si mesmo todas essas
coisas difíceis: então, semelhante ao camelo carregado que se
apressa em direção ao deserto, também ele corre para seu deserto.
E lá, nessa solidão extrema, produz-se a segunda metamorfose: o
espírito torna-se leão, quer conquistar a liberdade e ser senhor em
seu próprio deserto. Aqui ele busca seu último senhor, quer lutar
com ele e seu último deus, quer lutar pela vitória final com o
grande dragão.
Quem é esse grande dragão que o espírito se recusa a chamar de Deus
e de Senhor? `Tu deves', assim se chama o grande dragão. Mas o
espírito do leão diz `Eu quero!' Barrando o seu caminho está postado
o `Tu deves', brilhando como ouro, coberto de escamas fulgurantes, e
em cada uma dessas escamas reluz, em letras douradas, `Tu deves!'
Valores milenares brilham nessas escamas e assim fala o mais
poderoso dos dragões: "Em mim brilha o valor de todas as coisas.
Todos os valores já foram criados e eu sou o todo dos valores
criados. Na verdade, `Eu quero' não deve mais existir daqui em
diante." Assim falou o dragão.

Meus irmãos, para que o espírito precisa ser leão? Não basta a besta
de carga, resignada e respeitosa?
Criar novos valores - disso nem mesmo o leão é capaz - mas
conquistar sua própria liberdade para criar o novo - esse é o poder
do leão. Para conquistar sua própria liberdade, o direito sagrado de
dizer `Não' até diante do dever, para isso, meus irmãos, é preciso
ser leão.
Conquistar o direito de criar valores novos é a mais terrível
empreitada para um espírito resignado e respeitoso. Certamente ele
veria em tal ato uma façanha digna de um salteador e de um animal de
rapina. Agora, aquele que antes amava o `Tu deves' como o que existe
de mais sagrado há de perceber a ilusão e o arbítrio até mesmo no
que há de mais sagrado no mundo e conquistará assim, após uma
grande luta, o direito à liberdade à custa do seu amor. É necessário
um leão para tão grande violência.

Mas dizei-me, irmãos: que pode a criança fazer onde o próprio leão
foi incapaz? Porque o altivo leão deve transformar-se numa criança?
A criança é inocência, esquecimento, novo começar, jogo, roda que
gira sobre si mesma, movimento que começa, um sagrado `Sim'. Para a
brincadeira que é a criação, meus irmãos, é necessário um `Sim'
sagrado: o espírito agora quer sua própria vontade, e aquele que foi
perdido para o mundo conquista agora o seu próprio mundo.
Assim falei a vocês das três metamorfoses do espírito: como o
espírito se transformou num camelo, o camelo em leão e o leão,
finalmente, numa criança.

Assim falou Zaratustra. E nessa época ele morava na cidade
chamada "Vaca Multicor".

Nietzsche



Falei e Disse as 4:44 da tarde
**MARIA E O SECRETÁRIO**

Mesmo faltando-lhe quase todos os dentes, Maria era bonita. Uma beleza matuta, envergonhada, com cara de riacho e cheiro de roupa quarando ao sol. Não era de muitas palavras e olhava pro mundo pedindo licença. Como se os olhos incomodassem. Não. Como se ela fosse um incômodo que incomodava sem ela saber porquê. Assim, incomodada por incomodar, a ela só restava um enorme par de olhos que olhavam sem olhar. Olhava de beira, margeando o visível, esgueirando o foco, e procurando o chão.
Chegou como as Marias costumam chegar : invisíveis, anônimas, desterradas. Tocou a campainha, entrou, e foi logo lavando a louça e limpando as janelas. Não foi preciso ninguém mandar. Uma empregada exemplar. Ninguém lhe perguntou o sobrenome e o nome foi só pra constar. Depois arrumou as tralhas no quartinho dos fundos, pendurou o terço, uma fotografia de sabe-se lá quem, e encolheu-se na cama. Dormiu de banda, retorcida como um galho torto, uma pedra lascada e um cotoco de gente.
Sonhou com o sertão, com a terra dos olhos que olham sem olhar. Se fosse eu ou você a sonhar com esqueletos barrigudos e cadávares embalados em rede, certamente seria um pesadelo, mas pra Maria era sonho.
Acordou antes do sol acordar. Pisou no chão com cuidado, temendo que o chão fosse se incomodar. Arrastou-se até a cozinha e preparou o café. Não tomou. Esperou que todos acordassem e lhe deixassem o resto.
Que pra Maria não era resto, era o que tinha pra comer neste mundo de Deus. Os patrões não gostaram. Aguado demais! Abaixou a cabeça e sorriu. Maria sorria quando era pra chorar. Voltou ao fogão e fez tudo de novo, sem reclamar. Uma empregada exemplar!
Vez por outra conversava comigo, me contava histórias dos doze irmãos que ficaram no norte, lá pelas bandas da Paraíba. Narrava histórias de defuntos e mulas que soltavam fogo pelas ventas. De si, pouco falava. Não por não ter o que contar e sim por não querer incomodar. E se eu por acaso insistisse, ela respondia : "Que vida pode ter alguém que nem chegou a nascer?" E de nada adiantava tentar convencê-la deste engano, pois de tanto conviver com a morte, defunto, mula sem cabeça,
cadáver barrigudo, ela acabou por achar que o mundo era dividido entre os mortos e os nascidos. E se fosse eu ou você a elaborar este pensamento, seria metafísica, mas pra Maria era fado mesmo!
Um dia Maria chegou mais animada do que de costume. Os olhos brilhavam e me olhavam. Perguntei-lhe o motivo de tanta alegria, e ela disse que um herói ia chegar de avião. Acostumada com as histórias das almas penadas, achei que o herói de avião era coisa da sua imaginação. Mas não era! O filho do patrão, um sujeito metido a marxista, tiete de Fidel e Che, ia voltar de uma excursão lá pelos confins da Europa. Maria pouco sabia de Marx, mas pelo que ouvia por detrás das portas, concluiu
que ele era o anjo de Conselheiro, e o filho do patrão, o homem que ia fazer o mar virar sertão. De nada adiantou previni-la de uma provável decepção. Maria cismou que o rapaz era o anjo da sua tão esperada concepção.
Até que chegou o dia do retorno do tal herói. Chegou empinado, ereto como um bambu, e nem olhou pra Maria e muito menos lhe deu bom-dia. Passou por ela sem vê-la, deixando um rastro gelado e uma catinga de senhor de engenho. Maria conhecia o cheiro e o associava ao chifrudo. Benzeu-se três vezes e jogou sal pelas costas. O herói era o tinhoso. Padre Cicero já havia avisado...
O tempo passou com Maria evitando ser olhada pelo canhoto. Tremia de medo quando ele passava ao seu lado, e um dia chegou até ver o rabo do coisa ruim. Pensou em ir embora, mas lembrou que não tinha pra onde ir. Foi ficando. Ela e o Tinhoso. O Tinhoso e Ela. De noite, rezava pra Padre Cicero, Conselheiro, e São Marx ( nunca consegui convencê-la de que Marx tinha horror às santidades) . Depois agarrava o terço, fechava os olhos, e lá se ia pras bandas dos mortos, dos não nascidos...
Um dia, o herói que não era herói e era o tinhoso acusou-a de roubar uma toalha. Vixe! A toalha que secou os pêlos do canhoto? A barriga embrulhou e os cabelos arrepiaram. Mas ninguém percebeu. Foi mandada embora no meio da noite. Não tinha nenhum lugar para ir. Saiu carregando a trouxa, um disco do Roberto Carlos, e um porta retrato com uma foto de São Marx. Nunca mais foi vista. Afinal, ela nem tinha nascido!
O Tinhoso? Ah!... a última coisa que eu soube dele é que se bandeou para o lado evangélico e que hoje rega uma rosa de plástico e um cravo de pano. Continua com pose de herói e vez por outra diz que é secretário do trabalhador!

Marcia Frazão



Falei e Disse as 4:29 da tarde
terça-feira, maio 20, 2003
ACREDITAR E AGIR

Um viajante ia caminhando em solo distante, as margens de um grande lago de águas cristalinas.

Seu destino era a outra margem.
Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte.
A voz de um homem coberto de idade, um barqueiro, quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo.
O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho.

Logo os olhos do viajante perceberam o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, ele pode observar que se tratavam de duas palavras:

num remo estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro AGIR.

Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos.

O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remando com toda força. O barco começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava.

Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.

Finalmente o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago chegando ao seu destino, à outra margem.

Então o barqueiro disse ao viajante:
-- Esse porto se chama autoconfiança, simultaneamente é preciso ACREDITAR e também AGIR para que possamos alcançá-lo !

Vera Tanka


Falei e Disse as 3:51 da tarde



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